Debate Maio em Abril | Diana Andringa
dia 18/04/2018

O objectivo da conversa era assinalar os 50 anos do Maio de 68, ainda que explicitamente se pretendesse olhar para efeméride a partir de um ângulo diferente do habitual: que impacto tiveram os acontecimentos de Paris no processo político em Portugal, nomeadamente na resistência ao fascismo e no percurso que levou ao 25 de Abril. Convidámos, para isso, Diana Andringa (DA), jornalista e militante antifascista.

DA começou por relativizar o impacto do Maio de 68 na luta política em Portugal. Desde logo por se trata de um conjunto de acontecimentos entre muitos outros, quer em Portugal quer fora.

No que respeita a acontecimentos fora de Portugal, DA destacou, a título de exemplo, a luta pelos direitos civis ou a revolta de Berkeley nos Estados Unidos, as revoluções cubana e chinesa, a cisão sino-soviética, o assassinato de Che Guevara ou a contracultura hippie e a música de intervenção de Bob Dylan e outros como marcas importantes para as gerações que, nos anos 1960 e 1970, resistiam ao fascismo em Portugal.

Por outro lado, em Portugal, crescia desde o início da década de 1960 um movimento estudantil que se organizava contra a ditadura. Referiu também a ‘Carta a uma jovem portuguesa’, escrita em 1961 por Artur Marinha de Campos como um primeiro gesto de luta pela igualdade de género. Também as cheias de Novembro de 1967, com o seu cortejo de centenas de mortes, foram, para DA, um importante momento de politização dos jovens, por tornar claro o atraso e que o país vivia. Porém, o recrudescimento da violência do regime, a Guerra Colonial e o desenvolvimento dos movimentos de libertação terão sido os factores mais importantes a influenciar o desenvolvimento da luta política em Portugal.

Ainda que o Maio de 68 possa ter tido algum impacto em Portugal – muito embora tenham sido acontecimentos que passaram ao lado da maioria da população –, para DA é necessário enquadrar esse impacto como mais um – e seguramente não o mais importante – entre muitos outros.

DA terminou a sua intervenção inicial dizendo que, tal como o 25 de Abril, o Maio de 68, por mais importância que tenha, foi apenas um ponto de partida. O que é mais importante é que a luta tem de continuar.

Tivemos depois oportunidade de conversar sobre a intervenção de DA, mas também sobre as características do regime depois da ascensão ao poder de Marcelo Caetano, sobre as condições da luta política naquele período ou o estudo historiográfico sobre as sequelas do fascismo e da Guerra Colonial. Toda a sessão pode ser ouvida na secção de podcasts.