Conversa sobre Al Berto

Conversa sobre Al Berto

Al Berto teria completado 70 anos em Janeiro passado. Assinalando a efeméride, convidámos Fernando Pinto do Amaral (FPA), professor de Literatura, poeta, tradutor e profundo conhecedor da obra e da figura de Al Berto, como quem teve oportunidade de conviver de perto durante a década de 1980 e início da década de 1990. Juntámos à conversa a leitura de alguns poemas de Al Berto, por Joana Patrício.

FPA começou por destacar que Al Berto é um autor com uma obra vasta e ainda longe de estar esgotada. É uma escrita com muitos aspectos ainda a descobrir e a explorar, nomeadamente a hibridez entre poesia e prosa. Trata-se, por outro lado, de um obra que reflecte muito as características pessoais do seu autor, bem como a sua relação com os aspectos mais banais do seu quotidiano. Foi, aliás, pela caracterização pessoal que FPA começou, sobretudo no período em que o conheceu de perto, descrevendo-o como alguém que deambulava entre a experiência intensa da vida e a necessidade de solidão e recolhimento. Nesse período, Al Berto vivia entre Lisboa e Sines, de onde era natural, aumentando gradualmente, nos últimos anos, as temporadas que lá passava.

Também a sua obra, para FPA, oscilava entre o excesso e o desejo de solidão e de mundo interior. Destacou, por um lado, a presença na sua escrita dos objectos mais comuns do seu quotidiano, mas também a sua relação com o mar e com o deserto. Muitas vezes apontado pela crítica pela sua escrita pouco «polida», Al Berto transpunha para a sua obra um «aluvião de experiências», nas palavras de FPA.

Pouco mais de 20 anos passados sobre o seu desaparecimento, a obra de Al Berto continua a ter muitos leitores e a suscitar interesse e debate. A imensa força da sua escrita ficou bem patente nos poemas que Joana Patrício seleccionou e leu. Esperamos por isso ter contribuído, com este evento, para a promoção da obra desta fascinante figura.