Conversa sobre os 40 anos do punk, com Paula Guerra
dia 30/12/2017 | 0 Comentários

Recebemos no final da semana passada, para o último evento de 2017 na Tigre de Papel – e também a última sessão do ciclo ‘O que É que Tem o Sete que É Diferente dos Outros’, um conjunto de conversas que organizámos ao longo de 2017 sobre efemérides redondas que se assinalavam este ano –, a socióloga Paula Guerra (PG), tendo como ponto de partida os 40 anos do punk e a edição do seu livro As Palavras do Punk.

O livro, dirigido por PG e Augusto Santos Silva, mas produzido por uma equipa mais vasta, é trabalho de sociologia histórica sobre o movimento punk em Portugal, olhado em particular a partir das letras das bandas, mas também das capas dos discos, dos cartazes dos concertos, das fanzines, etc. Os autores procuraram analisar a importância do fenómeno no contexto do desenvolvimento histórico da democracia portuguesa.

O projecto levou três anos a desenvolver – entre 2012 e 2015 – e incluiu cerca de 200 entrevistas e a análise de milhares de objectos. Além do livro, o projecto acabou por ter outros desenvolvimentos, como um documentário, um arquivo, um site ou uma conferência internacional de culturas underground (Keep It Simple, Make It Fast – KISMIF), que terá em Julho de 2018, no Porto, a sua segunda edição.

Se, numa primeira fase, o projecto permitiu identificar um conjunto de tendências e um enquadramento sociológico geral (por exemplo, a origem social alta e média-alta dos primeiros protagonistas do movimento), abriu igualmente caminho para o estudo de outras tensões, como sejam as questões do género ou do enquadramento político. A próxima conferência KISMIF, por exemplo, terá um especial enfoque na análise das questões de género num movimento que, por um lado, valoriza uma perspectiva libertária e, por outro, contraditoriamente, é composto quase exclusivamente por homens e reproduz muitos dos mesmos estereótipos e desigualdades de género característicos da sociedade moderna.

Um trabalho que, seguramente, continuaremos a acompanhar de perto e que contribuiu para um final em beleza da programação de 2017 da Tigre de Papel.