Debate sobre Arte e Cidade
dia 30/01/2018

Dando seguimento a uma preocupação permanente na programação da Tigre de Papel de discutir as temáticas da cidade, decorreu no final da semana passada um encontro sobre a relação entre a arte e a cidade. O ponto de partida era um artigo de opinião de Miguel Lobo Antunes, antigo administrador da Culturgest, crítico dos actuais processos de apoio público às artes. Participaram na conversa o próprio Miguel Lobo Antunes, Maria Vlachou, directora da Acesso Cultura, e João Fiadeiro, coreógrafo e investigador.

O tema era suficientemente vasto para que fosse possível concentrar o debate numa única direcção. Quer as intervenções iniciais quer as do público dispersaram por muitos temas, mas talvez possamos encontrar uma tensão transversal a grande parte do debate: como conciliar uma noção de arte que a tome, por definição, na sua – como designou Miguel Lobo Antunes – «inutilidade» de um ponto de vista económico com a necessidade de estabelecer métodos e critérios de apoio público à criação artística. Ou, na palavras de João Fiadeiro, como lidar com a «absoluta utilidade da inutilidade».

O recente processo de concessão do Teatro Maria Matos à gestão privada ou o impacto do corte de financiamento público em estruturas artísticas da cidade foram outros temas igualmente presentes.

Em suma, mais do que conclusões, o que se retira deste importante debate é a necessidade de prosseguir algumas das suas pistas de discussão e aprofundá-las em iniciativas próximas. Assim contamos vir a fazer.