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A Rua da Estrada
de Álvaro Domingues

de: Álvaro Domingues

A Rua da Estrada é um conceito que emerge sobre os escombros da dupla perda da «cidade» e do «campo» e da oposição convencional entre o «urbano» e o «rural». Da cidade existe a ideia muito comum de que se trata ao mesmo tempo de uma forma de organização social (a polis ou a civitas) […]

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sobre o livro
Overview

A Rua da Estrada é um conceito que emerge sobre os escombros da dupla perda da «cidade» e do «campo» e da oposição convencional entre o «urbano» e o «rural». Da cidade existe a ideia muito comum de que se trata ao mesmo tempo de uma forma de organização social (a polis ou a civitas) intensa e diversa que ocupa um território densamente construído, com uma forma, um centro e uns limites perfeitamente definidos. Esta imagem da cidade aparece como um «interior» confinado, rodeado pelos espaços extensivos e rarefeitos da agricultura, da floresta ou dos espaços ditos naturais. No mesmo registo, o rural seria o espaço da agricultura; agrícola porque maioritariamente dependente da economia agroflorestal, e rural, no sentido cultural, porque correspondente a estilos de vida e visões do mundo dominadas por um certo tradicionalismo atávico e pelo fechamento sobre si. Nada mais falso. As transformações da agricultura e do rural são tão radicais quanto as que se verificam nas cidades.
Hoje, a urbanização progride a um ritmo avassalador e já não está exclusivamente dependente da aglomeração e da proximidade física entre as pessoas, os edifícios e as actividades. As infraestruturas – como a as estradas ou as redes de telecomunicações, água ou de energia – percorrem territórios imensos que tornam possível um sem-número de padrões de localização e de formas de organização social. O urbano é um «exterior» desconfinado e instável, por contraposição à imagem da cidade amuralhada.
A Rua da Estrada é a perfeita imagem desta metamorfose. Mais do que lugar, a Rua da Estrada emerge como resultado da relação, do movimento. O fluxo intenso que a percorre é o seu melhor trunfo e a sua própria justificação. Sem fluxo não há troca nem relação, génese primordial da velha cidade.

Detalhes

Editora: Dafne
Data de publicação: 2009
Nº de páginas: 260