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Mais um Dia de Vida, Angola 1975
de Ryszard Kapuscinsky

de: Ryszard Kapuscinsky

«Durante três meses vivi em Luanda, no Hotel Tivoli. […] Em frente a mim vivia um casal jovem, Artur e Maria. Ele era funcionário público colonial e ela uma loira calada, calma, com olhos enevoados e sensuais. Estavam à espera de partir, mas primeiro tinham de trocar o seu dinheiro angolano por dinheiro português, o que levava semanas, porque as filas nos bancos eram intermináveis.

A nossa empregada de limpeza, uma mulher idosa e cheia de vivacidade e simpatia chamada Dona Cartagina, veio-me confidenciar que o Artur e a maria viviam em pecado. Isso queria dizer que viviam como pretos, como aqueles ateus do MPLA. Na sua escala de valores, era o grau mais baixo de degradação e infâmia a que um branco podia descer. […]

Maria passou a tratar-me como um homem prestes a cometer suicídio quando eu lhe disse que permaneceria em Luanda até ao dia 11 de Novembro, data em que Angola se tornaria independente. Na sua opinião, não ficaria uma pedra por tombar na cidade. Toda a gente morreria e Luanda transformar-se-ia num grande cemitério, habitado por abutres e hienas. Apostei com ela uma garrafa de vinho em como sobreviveria, e que nos encontraríamos no elegante Hotel Altis, em Lisboa, no dia 15 de Novembro.»

16,00

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sobre o livro
Detalhes

Editora: Tinta da China
Data de publicação: 2000 (1976)
Nº de páginas: 190