Exibição do filme volta a Terra, de João Pedro Plácido

Exibição do filme volta a Terra, de João Pedro Plácido

Ontem à noite, o nosso auditório encheu-se para conhecer o lugar de Uz, uma pequena comunidade transmontana onde a agricultura de subsistência e a relação com o ambiente agreste da montanha compõem o viver quotidiano das poucas dezenas de habitantes que ali ainda vivem. Volta à Terra, filmado ao longo de cerca de um ano, documenta justamente esse dia-a-dia muito marcado pelas contingências da actividade agrícola e pelas estreitas relações comunitárias, de partilha e entreajuda, próprias de uma realidade pequena e fechada.

Para João Pedro Plácido, o realizador, aquela é uma realidade que conhece bem, por raízes familiares. Explicou-nos que procurou dar visibilidade a um modo de viver que subsiste há séculos com as mesmas características, valorizando a dimensão comunitária da vida quotidiana e a economia moral que aí se gera. Para os habitantes de Uz, a própria ideia de crise económica é estranha, uma vez que as suas relações se estabelecem longe da racionalidade económica própria das sociedades modernas. As trocas directas, em função das necessidades, e a partilha estão no lugar da rentabilidade e das trocas comensuráveis e mediadas por dinheiro.

Volta a Terra é, por outro lado, um documentário em que a dimensão estética é muito forte, transportando-nos para uma realidade que, aqui numa grande cidade, apenas remotamente imaginamos que existe. Tem, por isso, também o condão de nos interpelar sobre a possibilidade de viver de modos diversos e de valorizar diferentes aspectos da nossa relação com o mundo.