100 anos de Fátima, com o Padre Mário de Oliveira
dia 25/05/2017 | 0 Comentários

Quando, em 1999, publicou o famoso Fátima Nunca Mais, o Padre Mário de Oliveira (PMO) julgava – e daí também o título do livro – que não mais voltaria ao tema, uma vez que ficava tudo dito. Aquilo que designa como um não evento, ou como um teatrinho encenado pelo clero de Ourém em 1917, nomeadamente pelo célebre cónego Manuel Nunes Formigão, que tinha estudado atentamente o fenómeno de Lourdes, em França, e procurou reproduzi-lo em Fátima, ficava então plenamente desmontado. Porém, a publicação pelo Santuário de Fátima da Documentação Crítica de Fátima, um conjunto de 15 volumes que reúne todos os documentos desde 1917, fê-lo regressar ao tema.

Foi por aqui que o PMO começou a sessão que ontem aconteceu na Tigre de Papel a propósito dos 100 anos de Fátima. Em 2015 voltou a publicar um livro sobre o tema que o catapultara para o centro do debate público mais de 15 nos antes – Fátima SA, de que saiu agora a 6.ª edição. Neste novo livro, o ponto de partida do PMO é precisamente a Documentação Crítica, procurando demonstrar que Fátima é um logro através dos próprios documentos oficiais do Santuário.

Já em 2017, o PMO acaba de publicar um novo livro em que, nas suas palavras, procurou retirar Fátima do debate público, lançando, logo no título, uma pergunta provocatória: A Bíblia ou Jesus? A ideia é desafiar os cristãos a renegarem o dogma religioso, escolhendo Jesus e a sua revolução, segundo o PMO simultaneamente espiritual, antropológica e teológica, que aponta para uma existência humana sem Deus. O balanço que o PMO faz desta sua mais recente edição é que o objectivo de provocar um novo debate fracturante, e que colocasse a questão de Fátima na sombra, não foi, até agora, bem-sucedido, uma vez que todo o espaço público, incluindo a comunicação social e as instituições do Estado, está intoxicado com o centenário de Fátima, a vinda do Papa a Portugal, a canonização de dois dos pastorinhos, etc.

Mais propriamente sobre a temática das aparições, o PMO referiu alguns factos históricos que, a seu ver, demonstram por si mesmos que tudo se tratou de uma encenação. Entre eles o conhecido episódio da pretensa aparição do mês de Agosto, que terá acontecido apenas quatro dias depois do dia em que supostamente deveria ter ocorrido, e num local diferente do habitual, uma vez que o governador de Leiria havido levado as três crianças para sua casa no dia 13, para confirmar presencialmente que não havia quaisquer aparições. Mas também a suposta declaração de Maria a Lúcia, no dia 13 de Outubro, de que a «Guerra termina hoje», afirmação que haveria de custar ao cónego Formigão um grande esforço para justificar.

Seguiu-se depois uma muito animada conversa, quer sobre Fátima quer sobre o papel da religião, a figura de Jesus ou a influência social, política e cultural da Igreja Católica.