Biografia de Agostinho da Silva | conversa com A. Cândido Franco
dia 20/06/2017 | 0 Comentários

O professor António Cândido Franco (ACF), no âmbito da programação dedicada ao nosso “Autor do Mês”, esteve na Tigre de Papel a apresentar a biografia que escreveu sobre Agostinho da Silva – «O Estranhíssimo Colosso».
Na sua intervenção inicial decidiu abordar o tema de “como escrever uma biografia”, deixando os aspectos da vida e pensamento de Agostinho para a sessão de perguntas e debate que se seguiu.

Sublinhou que a biografar Agostinho da Silva é uma tarefa particularmente difícil.

A escrita de uma biografia começa pelo chamado “inquérito biográfico” e a recolha de materiais, factos e testemunhos da vida de um homem que viveu 88 anos, de forma tão intensa e tão cheia, em mais do que 1 continente, deixando variada e extensa obra publicada e por publicar, não é tarefa nada fácil.
Por outro lado, uma vida tão cheia – 3 vidas diferentes, como chamou a atenção ACF: Uma até ao exílio no Brasil, outra no Brasil e ainda outra, desde o regresso a Portugal até à sua morte – possibilita ao biógrafo, qual realizador de cinema, fazer uma “montagem” que vai de encontro a um determinado “guião” que ele terá na sua cabeça…

O biógrafo, tal como o historiador, nunca é neutral. O “guião” que ACF tinha para Agostinho era de um homem invulgar, marcado claramente à esquerda (apartidária), em confronto e à margem com a cultura dominante no seu tempo.

ACF lembra que com apenas 22 anos, Agostinho aderiu à Seara Nova, em 1935 é obrigado a demitir-se do ensino público e em 1945 é preso e obrigado a sair do país.
É já no Brasil que desenvolve a sua ideia de Quinto Império,que não se confunde com uma visão nacionalista, fascizante de Império Português, mas é antes uma visão que tanto se sustenta em António Vieira, como no “Reino de Deus” de S. Francisco, como na Anarquia de Kropotkine: Uma utopia de liberdade e de abundância onde não há lugar à coacção.
No 25 de Abril, Agostinho está envolvido, no coração do Alentejo, na Reforma Agrária. É por isso mesmo que é crítico do 1º Governo Constitucional de Mário Soares e crítico da chamada “Lei Barreto”, que desfere um golpe mortal nesse processo que considera um dos mais interessantes da Revolução de Abril.

A vida de Agostinho da Silva é extremamente extensa e rica e, em todos os domínios, é esse “excesso” que salta à vista de quem quer que se debruce para estuda-la… Foi por isso mesmo que ACF decidiu dar este nome ilustrativo à biografia que escreveu sobre o Mestre: «O Estranhíssimo Colosso».