BRIN Cadeiras com poesia de Salette Tavares
dia 19/06/2017 | 0 Comentários

Ontem, na tarde mais quente do ano, regressámos, pela mão (e o pé, a cabeça, as esculturas abstractas úteis, o lixo) da Joana Patrício (JP), a Salette Tavares, a nossa autora do mês passado. Pensadas como uma leitura para crianças, as BRIN Cadeiras organizadas pela JP mobilizaram pelo menos tantos graúdos quanto miúdos. Mais do que uma mera leitura, a sua performance, como sempre acontece, pressupunha a participação activa de todos os presentes.

O ponto de partida era um conjunto de poemas do livro ‘Lex Icon’ (acabado de reeditar em fac-simile pela Tigre de Papel), enquadrados pelos mais diversos objectos, tornados brinquedos, trazidos e dispostos pelo espaço pela JP. Começou por ler o poema «A Cadeira», a que se seguiu «As Lições». Chegou depois «O Sapato», um poema litúrgico em que um oficiante – a JP – vai recitando o seu ofício e sendo acompanhado pela pronta resposta de todos os fiéis presentes, diligentemente atentos, descalços e com um sapato na mão.

Por fim, a sessão terminou com um dos poemas mais marcantes do livro, «O Lixo». Dispostas pela mesa, diversas caixas pretas guardavam, cada um delas, diferentes tipos de lixo. Os presentes foram então desfiados a observar esses objectos e a atribuírem nomes a cada uma das caixas. Através desse exercício de nomeação, JP procurava, seguindo a pista da poeta, produzir novos sentidos para os objectos. No fundo, brincar não é mais do que isso:
Limpar o sujo
é mudá-lo de local ________ é trocar-lhe o sentido
é inverter-lhe a posição real.