O plástico na poesia da natureza norte-americana | Nuno Marques

O plástico na poesia da natureza norte-americana | Nuno Marques

O plástico, pela sua própria constituição, é indestrutível. Por mais que seja quebrado, estilhaçado, reduzido a pequenas partículas, nunca desaparece. Nessa medida, a generalização do seu uso, em múltiplos aspectos da vida contemporânea, levou a que o plástico – um material constituído exclusivamente pela produção humana, sem recurso a componentes naturais – ganhasse uma integração no mundo natural que vai até à própria constituição geológica. A presença humana na Terra estará, portanto, irremediavelmente e para sempre inscrita no desenvolvimento natural.

É este o ponto de partida do poema ‘Styrofoam’, da poeta norte-americana Evelyn Reilly, e foi este também o ponto de partida da conversa de ontem à noite na Tigre de Papel. A proposta de Nuno Marques – investigador na área da poesia norte-americana – era discutir o modo como este trabalho de Reilly se insere numa espécie de mudança de perspectiva, que inclui alguns outros autores, na poesia da natureza norte-americana. Se antes a deslocação do indivíduo da cidade para o campo era vista como um gesto que possibilitaria o acesso ao sublime através da experiência de contacto com o autêntico natural, hoje esse autêntico já não existe. O artificial passou a integrar a constituição do natural. E é nesta nova natureza plástica que Reilly vê a hipótese de satisfação espiritual.

Um excerto de ‘Styrofoam’ aqui: www.evelynreilly.com/home/work/styrofoam.