O escritor e a escrita. Um tema do «nouveau roman»
«No sector da “vida” e no sector da “arte”, o escritor dá, com as novas concepções de escrita, um passo muito grande em direcção à situação geral do “comum dos mortais”.» Eis o que interessará Eduarda Dionísio, ainda estudante da Faculdade de Letras (1968), pelo «nouveau roman».
Pegando num texto de Balzac em que a arte e o artista são definidos como realidades sobrenaturais, seres eleitos, supra-terrenos, que sentem e vêem diferentemente, Eduarda Dionísio vai encontrar no «nouveau roman» uma concepção do artista totalmente diversa: «O escritor não é considerado um “eleito”, não é considerado um “ser aparte”, um privilegiado. O seu estatuto é semelhante ao de todos os “mortais”, ao dos “homens comuns”. […] Os escritores de que as obras do “nouveau roman” nos falam não são inadaptados, não são seres a-sociais. Mostram o que escrevem aos outros, escrevem até para os outros, conversam com os outros a propósito das obras que estão a fazer. Não são casos complicados de psicologias mais “anormais” do que as das outras personagens.» Aliás, «Dentro da própria obra que escreve, o escritor não tem uma posição muito diferente da do seu “representante criado”, que é o narrador, nem da das suas “criaturas”, que são as personagens.»
Estas personagens, mais de «pensamento» e «imaginação» do que de acção, são, como o comum dos mortais, pessoas que pensam, sonham, imaginam, monologam interiormente, falam, contam e escrevem.
| autor/a | Eduarda Dionísio |
|---|---|
| editora | Casa da Achada |
| ano de publicação | 2026 |
20,00 €





