A minha história com Ninguém
Quando Ninguém deixa as Coisas sossegadas no seu lugar, passo-lhe um raspanete. Contesto a valer. Se passas o dia em casa, tens de mexer nas Coisas, de vez em quando. Por favor. Pode ser?
Até as Coisas, sobretudo as Coisas, e se forem das velhas nem se fala, essas por exemplo têm de mudar de lugar todos os dias, senão ficam perras num instante. Em contrapartida as Coisas são tal e qual como as pessoas, para ser mais exacto. Disse-lhe, exasperado. Aliás, ao mudarmos as Coisas de lugar, nós, simultaneamente, movemos os braços, o peito, a cabeça, as pernas, e muitas outras peças, mantendo o esqueleto lubrificado. As Coisas, às vezes acontece, são os nossos preparadores físicos. Disse-lhe. Principalmente quando nos fazem mudar de posição de minuto em minuto. Pensa num relógio, num despertador, num telefone, sossegado, na sua posição fixa. Entretanto põe-se a chamar pela sua pessoa. Ela pula e fica de antenas em alerta. E vai. Responde ao chamamento, mudando antecipadamente de posição.
Rui de Almeida Paiva, A minha história com Ninguém.
| autor/a | Rui de Almeida Paiva |
|---|---|
| editora | Dois Dias edições |
| ano de publicação | 2025 |
| n.º de páginas | 48 |
10,00 €








