Invertendo a Bossa do Camelo. Jorge Dias, a sua mulher, o seu intérprete e eu
Neste livro, Harry G. West propõe uma leitura crítica da obra de Jorge Dias e do lugar fundador que ocupa na antropologia portuguesa. A partir da análise do livro Os Macondes de Moçambique, West revela o contraste entre a imagem culturalista, harmoniosa e “tradicional” dos macondes construída pela etnografia clássica e a realidade social dinâmica do planalto de Mueda, marcada por mobilidades, conflitos, mudança política e circulação transnacional de ideias. O autor expõe uma tensão decisiva: aquilo que é silenciado na obra científica publicada surge com clareza nos relatórios confidenciais produzidos para a administração colonial, onde os mesmos sujeitos aparecem como agentes políticos, atravessando fronteiras, aderindo a redes nacionalistas e participando em processos de contestação ao poder colonial. Esta duplicidade permite a West mostrar como ciência e política se entrelaçam no contexto do Estado Novo, desmontando a ideia de uma autonomia disciplinar plenamente separada do poder. Mais do que um estudo sobre um autor ou uma obra, este livro é uma reflexão poderosa sobre os mecanismos de consagração científica, a construção dos cânones académicos e os silêncios estruturais da produção do conhecimento. Uma leitura indispensável para compreender as relações entre antropologia, colonialismo e poder em Portugal.
| autor/a | Harry G. West |
|---|---|
| editora | Fora de Jogo |
| ano de publicação | 2026 |
12,00 €





