Carlos de Oliveira, a proximidade da distância

«Ler Carlos de Oliveira é entrar num emaranhado de fios e de temas indestrinçáveis através dos quais se formam confrontos e se abrem brechas, que anunciam desequilíbrios insolúveis entre o exame, a imaginação e a encenação que os organiza, compondo desse modo o livro. No afastar-se das ilusões de originalidade e de novidade, dá-se a ver que no que se repete há o irrepetível, o acontecimento, que vai contra a pretensão de fixação, dissemina silêncios e suporta metamorfoses, sempre singulares. Por um lado, o estilhaçamento de crenças, conhecimentos, doutrinas, ideologias e hábitos permite uma distância propiciadora de análise e de estudo. Por outro lado, o silêncio que irrompe é imprescindível à composição de movimentos de fuga que deslocam e alteram restos de memórias e os fazem girar no pressentimento de novas imagens e novos problemas.

Através de percursos mais ou menos sinuosos e erráticos, as formulações a que cheguei conjugam interpretação e comentário, aceitando a responsabilidade única da leitura, a de aprender com o que se lê, mas não o que se lê, que não existe objectivamente, que existe diferindo de leitura em leitura. Como tal, ler, aprender, é também perder a ideia do original, admitir que a escrita é feita de travessias e que estas são imanentes aos jogos do mundo, os do sentido.» – Silvina Rodrigues Lopes

autor/a
editora
ano de publicação 2025
género: Ensaio

15,00 

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